A memória impressa nos balangandãs: olhares químicos negrorreferenciados nos moldes da lei 10.639/03

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Vander Luiz Lopes dos santos
Marysson Jonas Rodrigues Camargo
Anna Canavarro Benite

Resumo

Este relato de experiência apresenta a articulação entre saberes tradicionais afro-brasileiros e conceitos científicos da Química a partir de uma prática pedagógica afrocentrada e negrorreferenciada. A proposta foi desenvolvida em uma Intervenção Pedagógica (IP) realizada com cinco estudantes meninas do terceiro ano do Ensino Médio goiano, tomando como referência as joias afro-brasileiras da Bahia-Colônia dos séculos XVIII e XIX. O trabalho foi fundamentado na Lei 10.639/03 e inspirado na teoria da afrocentricidade, buscando integrar dimensões culturais, simbólicas e científicas. Para isso, elaboramos e aplicamos um material instrucional que dialogava com processos químicos como fundição, ligas metálicas, oxirredução e eletrodeposição. Ao longo da experiência, a observação das interações em sala de aula, apoiada pela análise da conversação, evidenciou como a valorização de epistemologias negras pode potencializar aprendizagens e promover reflexões críticas sobre ciência, identidade e ancestralidade. Mais do que ensinar conteúdos de Química, a atividade contribuiu para o fortalecimento da educação antirracista e para a construção de um espaço de reconhecimento e pertencimento das/os estudantes.

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